Brian viveu solitário por muito tempo, e a cada dia que passava ele se acostumava.
Pensativo, sempre analisando a forma em como as pessoas que não eram solitárias, no qual ele considerava 'felizes', viviam. Fotos do passado ele guardou na gaveta.
Romances passados guardou em sua memória. Saudade ele sentia todos os dias.
No dia 18 de abril ele conheceu uma garota que se chamara Lila.
Ela não possuia tantos amigos, mas também não era tão solitária. Não sentia-se sozinha, mas necessitava de verdadeiras companias.
Com o tempo, conheciam, cada vez mais, um ao outro.
Brian sempre procurava ouvir Lila, sempre ficava do lado dela, a apoiava, e Lila o considerava um grande amigo.
É, bem... Ela queria apenas a sua amizade.
Brian sabia que ela não era apaixonada por ninguém.
Depois de quase um ano de amizade ele sentiu que sentia muito mais que amizade, e sentia-se perdido por saber que ela não sentia o mesmo.
Eles conversavam todos os dias, riam, brincavam, um consolava ao outro e assim vai...
Brian ouvia uma música com uma letra de amor e já lembrava de Lila. Quando falava de amor platônico ele chorava, chorava nos cantos de seu quarto, sozinho, e botava tudo pra fora, bem, quase tudo e quando via Lila, desfarçava muito bem.
Lila comentava sobre alguns garotos e ele ouvia, a "apoiava", mas no fundo, no fundo, ele queria gritar, mostrar, de alguma forma, que era ele quem ela tinha que notar, que era ele quem a amava, que era ele que se importava realmente com ela, que não seria capaz de ferí-la, que era ele que sentia algo tão puro e verdadeiro por ela, mas, ele não conseguia dizer.
Houve dias em que perdeu a fome, nada fazia sentido, ele mal conseguia fazer algo.
Até ver ela.
Quando ele a via, seu mundo sorria. Ele sentia-se bem, apesar dos apesares, o sorriso dela animava seu dia, e era tudo que fazia sentido, seu olhar era como se mostrasse a direção para Brian, como se ela fosse, e era, a motivação dele para continuar.
Quando a abraçava, abraçava forte, como se fosse a única chance que ele tinha de poder tê-la, de poder sentí-la.
Houve uma vez em que;
Estava anoitecendo, Brian e Lila haviam pegado um táxi, após terem saído de um pequeno show em um bar de esquina. O famoso bar do Carl, onde faziam covers incríveis, novos talentos que eram bem melhores do que muitos famosos que existiam e vendiam milhares de discos.
Então, como ia dizendo...
Saíram dali, pegaram o táxi e Lila dormiu no colo de Brian.
Brian acariciou Lila, deu um beijo no rosto e tocou sua mão.
Sentiu-se tão bem, mas tão bem... Que não trocava aquele momento por absolutamente nada.
Essa vez foi o mais perto que Brian chegou perto de poder sentir Lila.
Lila não sente o mesmo, ele pensava e repetia isso todas as noites.
Ficou assim durante meses e meses, e tudo ficava mais forte, cada vez mais claro, cada vez mais intenso e cada vez mais difícil de se esconder.
Completara um ano de uma amizade forte e verdadeira.
Brian sentiu que talvez estivesse na hora de contar, na hora de botar tudo pra fora, de acabar de uma vez por todas com esse segredo, e era a única saída que ele via, aliás, a única saída que ele conseguia escolher.
Uma semana depois de completar um ano de amizade, Brian conta à Lila.
Lila fica em choque, sente-se mal, sem saber o que fazer, sem saber o que dizer...
Ele já não esperava por mais nada, mas não queria perdê-la.
Ela nunca notou tal fato, nunca imaginou que Brian, seu melhor amigo, a amava demais, e sentia algo muito mais forte que uma grande amizade...
Bem, os dias passavam-se e Lila percebia que tudo, agora, fazia sentido.
Ela só tinha medo de machucá-lo, e pensava que estava o machucando por não sentir o mesmo.
Completando-se quase um mês após ela saber, ela decide fugir, mas, deixar ao menos uma carta agradecendo e dizendo que ele era o melhor amigo do mundo, e que ele à fez um bem que ela nunca pensou que ele poderia fazer. E que ele era importante, e que não queria o machucar mais e mais.
Então, numa noite de abril 26, ela decidiu enviar a carta, colocando-a na janela de Brian.
Fugiu, mudou-se para a casa de sua avó, arrumando suas roupas e colocando-as numa pequena maleta. Sua avó morava numa cidade não tão perto dali.
O vazio e a dor tomara conta de seu coração.
Ela dizia ser temporário para ela mesma, mas na verdade, não sabia de nada mais.
Brian levantou-se, sentia algo diferente, então, olhou em direção à janela
A dor era muito maior, bem mais intensa do que não tê-la por 'compromisso'.
Pois, perdê-la sem saber por quanto tempo, por onde anda, e se irá voltar, era como a morte, mas ao contrário da morte, permanecia no corpo, teria que continuar a se mover, e a seguir em frente.
Dois anos depois...
Lila volta, Brian estava numa festa, completando seu 3º mês de namoro junto à namorada e amigos.
Lila pergunta sobre ele para o pessoal que o conhecia, e que a conhecia, e ao saber da notícia tomou um susto.
Dessa vez, ela voltou pra ficar... Com ele.
Então, aí, ela decidiu voltar pra casa da avó e morar lá "pra sempre", isto é, não querendo mais voltar para onde morava seus pais e Brian.
Culpava-se por ter tido a oportunidade, por ter o machucado, por o ter deixado, e por não ter sentido o mesmo na hora certa.
Brian nunca soube de sua volta, mas sempre lembrara de seu primeiro amor.
Ela decide o declarar como passado, e o presente, seguir e viver uma nova vida, novamente.
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