Eu temia.
Eu era insegura demais e talvez por isso tenha acontecido o que eu mais temia.
Aliás, eu já sabia.
Bem, ela me trocou por outra, por sua nova amizade, agora, sua nova namorada.
Isso doeu no fundo, mas bem no fundo, de meu coração.
Anyways.
Meses depois de acabar...
Estávamos numa festa, numa espécie de farol.
Não sei explicar exatamente, mas enfim.
Quando cheguei lá, ela estava lá com sua nova namorada.
Eu estava vestida com um terno preto, gravata borboleta, calça jeans skinny preta e all-star.
É.
Ela estava com um vestido tomara que caia preto.
Ela estava linda, como sempre foi.
Ela veio até mim, junto com a namorada dela, e me cumprimentou:
Eu: Olá. – sorri.
Ex-namorada: Olá! – Manteve o sorriso que havia em sua boca.
Cumprimentei a sua namorada e depois perguntei se estava tudo bem com minha ex-namorada.
Ela disse que sim, e me perguntou o mesmo, e o mesmo eu respondi.
Ora... Pois bem. Se eu já não posso mais dar felicidade pra ela, ao menos, dou a liberdade pra ela ser feliz.
Se a nova namorada dela pode dar isso a ela, que seja sim, mesmo que ela seja o que eu sempre quis.
Eu já estava me acostumando com tudo. Meses haviam se passado, já estava na hora mesmo.
Eu peguei uma taça de champagne e sentei na plataforma.
Fiquei pensando, pensando...
Olhava para o oceano e perguntava-me sobre o que eu iria fazer.
Fiquei minutos ali.
Peguei algumas pedras e fiquei tacando na água.
Ela veio e sentou do meu lado, sorrindo, um sorriso suave, calmo, uma das essências que me fascinavam nela.
Eu olhei pra ela, e coloquei um pequeno sorriso em minha boca e lhe disse:
“Eu acabei de inventar algo!”
Ela: O quê? – Manteve o sorriso
Eu: Vou tacar essas pedras na água e farei um desejo. Não sei se isso funciona, mas irei tentar! Mas tem que ter algo a mais...
Ela sorri e diz: E o que seria algo a mais...?
Eu: Só pode ser à... Meia noite em ponto e sem mais! E sim, se você quiser jogar mais de uma pedrinha e ainda for meia noite vale.
Só não vale antes ou depois da meia noite, ok?!
Ela riu e disse: Ok, ok! Vou desejar algo, posso?
Eu: Claro, little girl!
Ela pegou a pedra tocando minhas mãos e eu senti algo, mas foi rápido e ela nem notou, ainda bem.
Ela fechou os olhos, pensou e tocou a pedra na água.
E disse:
“Pronto”.
Eu sorri e disse:
“Agora é minha vez!”
Eu fechei os olhos e desejei... Desejei tê-la ou achar logo um novo caminho para seguir em frente.
“Pronto!”, eu disse.
Ela sorriu e perguntou-me:
“O que desejou?”
O sorriso que havia em minha boca desaparecia em segundos.
Ela ficou séria de repente. Eu olhei para baixo e, sua namorada a chamou.
Eu a vi indo até sua nova namorada, e em seguida olhei em direção ao oceano e imaginei eu me jogando dali, ou se não, correndo dali e indo em direção ao pico montanhoso mais próximo que ali havia.
Foi meio real, esse pensamento.
Mas, logo eu meio que acordei.
Peguei a taça vazia e fui em direção à praia, deitei em uma das pedras e fiquei chorando, olhando para as estrelas, segurando aquela taça.
Eu precisava chorar.
Eu fechava os olhos, perguntava-me coisas, via um futuro para mim, um futuro sem ela, o que piorava, mas era a verdade. Essa verdade dói, mas preferia ela a me iludir.
Eu estava vendo aquele céu repleto de estrelas, aquele imenso escuro... Eu adorava aquilo, é...
De repente ela chegou do meu lado, com uma expressão séria e perguntou-me se estava tudo bem.
E eu pensei:
“MAS É CLARO QUE NÃO, EU TE AMO, LHE PERDI, NÃO SERVE?”
E disse-lhe:
“Sabe, todas aquelas estrelas juntas, uma perto da outra, e aquela ali se sentindo sozinha, longe de todas as outras...
Ela se sente tão sozinha, mas ela tem esperanças de que um dia sua solidão há de acabar.
Ela só quer encontrar um caminho em que ela possa tentar. Tentar encontrar algo que afaste a solidão ou apenas a conforte. “
Ela ficou muda e manteve sua expressão séria.
Eu sorri olhando pra baixo e mexi na taça.
Logo ela disse:
“Eu não queria lhe machucar.”
Dessa vez, eu fiquei muda.
Neguei balançando a cabeça e levantei-me.
Fui andando em direção ao caminho para pegar a estrada.
Ela perguntou:
“Onde você vai?”
Eu virei lentamente pra ela.
Eu: Vou achar o MEU caminho.
Ela olhou para baixo.
E em seguida olhou pra mim novamente.
Ela: Você vai embora? Digo... “Pra sempre”?
Eu: Se no meu caminho, na minha estrada, tiver um caminho pra voltar, eu irei voltar, caso contrário, eu irei continuar seguindo esse meu caminho.
E me virei novamente e fui.
Ela disse:
“Eu queria poder ser tua amiga.”
Eu: Eu queria poder ser quem lhe faz feliz.
E dessa vez, fui embora dali.
Fiquei andando naquela estrada, a vista do mar me comovia, as estrelas, ah...
E o passado era passado, agora.
Meu presente era seguir a estrada, encontrar, descobrir, conhecer, coisas ao decorrer do caminho.
Tudo isso foi forte, mas eu ainda estou aqui de pé, recomeçando, não do zero, mas recomeçando de onde parei.
Novo cheiro, novos passos, novas pessoas, um novo eu com traços dela e de todo o passado que ainda mantinha em mim, no qual é impossível de se apagar, pois, além de aprender, os traços também são uma das... “recompensas”
Que tudo isso deixa pra nós.
Eu espero que eu seja feliz, sei que vou, um dia, eu sei que vou.
E desejo o mesmo a ela.
Eu te amo, mas terei que ir embora, agora é minha vez, chegou a minha hora.
Hora de seguir em frente.
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